"Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."
Fernando Pessoa
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."
Fernando Pessoa
Amo o gosto agridoce do que foi, o toque áspero do que não é mais, a beleza amarelecida de lembranças desbotadas, a velha canção escondida num disco arranhado, o cheiro de ontem preso à roupas amarrotadas.
Amo o sonho interrompido, adormecido no travesseiro, o plano desfeito feito de rabiscos num canto do papel, a promessa não cumprida que partiu-se ao meio, o amor eterno que tropeçou na linha do tempo, a tentativa que ergueu-se e em seguida espatifou-se no chão.
Amo tudo que se perdeu, a alegria contagiante, o sorriso faceiro, o brilho no olhar, a leveza de um coração cheio.
Amo o ontem, tudo o que foi, o que não é mais. Vivo presa num filme em 'pause' e sem final.
Minha vida não passa de um ontem mal resolvido.
Durmo e acordo ao lado do ontem. Pra mim é sempre ontem.