Mostrando postagens com marcador Alegria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alegria. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Alegria muda

"Toda alegria é assim; já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino."
       
Millôr Fernandes
       
Uma alegria inquieta circulava apressada pelos vasos, inundando as veias, levando ao coração o agito de um ritmo desconsertante. O coração batia no compasso de uma escola de samba.
Uma alegria incontida remexia-se dentro de mim, pulsando vida, querendo saltar pra fora do peito, mostrar-se ao mundo.
Uma alegria eufórica gritava exclamando liberdade, balançando o corpo, fazendo nascer felicidade num peito marcado com tristeza.
Uma alegria confortante e fortalecedora que remendava a alma, curava as dores, cicatrizava as feridas, acalmando com sua delicadeza a maré de desilusões.
Uma alegria que desejava esvoaçar risos, mas tinha medo que esses risos durassem o tempo de um instante, perdendo-se no eco de uma gargalhada.
Uma alegria que desejava ser feliz, mas tinha medo de ser uma felicidade fugaz, rasgando a alma com outras dores, fazendo novas feridas, afogando-me em desilusões.
Era uma alegria triste. Triste, arrebatante em sua essência, amedrontada para o mundo.
Respirei fundo e engoli a alegriazinha triste sem saborear-me dela. Continou pulsando intensa - uma vida morta [...]
Alegria muda.
Não desejara escapar na fugacidade do momento, escapulir por entre os lábios. Desejara ficar guardada dentro do peito para que não fugisse e quem sabe nunca mais voltasse. Um relicário de alegrias tristes...
Toda tristeza é uma alegria que falhou.