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sábado, 30 de janeiro de 2010

Voa

"Voa coração
Que a minha força te conduz
Que o sol de um novo amor
Em breve vai brilhar
Vara a escuridão
Vai onde a noite esconde a luz
Clareia seu caminho e acende seu olhar
Vai onde a aurora mora
E acorda um lindo dia
Colhe a mais bela flor
Que alguém já viu nascer
E não se esqueça de trazer força e magia
O sonho, a fantasia
E a alegria de viver..."

Toquinho

Voa longe coração, para além do horizonte, perde-se entre as nuances azul, amarelo, laranja, lilás, rosa, pincelando o cinza das tuas ruas, becos e avenidas com cores fervorosas, arremata tuas alamedas com um Sol amarelo-alaranjado, vai aonde o céu beija o mar, e o Sol encontra a Lua - a chegada de um a partida do outro, rouba deles a eternidade breve desse instante, leva contigo no fundo do teu baú de lembranças desvanecidas aquele antigo amor, baila sobre o céu azul mesclando os entretons desbotados das tuas lembranças com o caramelo desse caminho de nuvens dispersas, vai aonde o Sol adormece e deixa que esse antigo amor também adormeça aconchegado em esquecimento, e nas tuas asas traz toda a serenidade de um fim de tarde silenciando a calmaria inquieta de dias chuvosos, traz a brandura atenuando as velhas cicatrizes que dias cinzentos desenharam, e no fundo do teu baú um pote de cores recheadas com paz, um arco-íris e no fim dele um céu sempre colorido. Um coração furta-cor. E quando o manto negro da noite desenrolar-se sobre o céu de fim de tarde, voa longe coração e recosta-se numa estrela cintilante empoeirando-se no teu brilho, deixa a luz da Lua te iluminar ofuscando a escurdidão dos teus arabescos de mágoas e à primeira estrela que desprender-se do céu, despencando em algum lugar oculto, faz um pedido de amor. E quando o manto negro da noite recolher-se em silêncio, estampando no horizonte um Sol 'inda espreguiçando-se para o começo de um novo dia, voa longe coração e colhe pingos de ouro preenchendo o teu vazio, costura tuas feridas com os fios de luz, abraça esse céu azul clarinho, azul-felicidade, deixa-se amanhecer, saiba entardecer, ser noite e depois renascer com o esplendor da aurora de cada dia. Voa, e se acaso chover banha-se na chuva levando embora as tuas impurezas...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Saudade

"Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade
Um lugar pro coração pousar
Um endereço que frequente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão..."

Marisa Monte

Saudadezinha todos os dias bate à porta do coração, acorda logo cedo, inquieta feito moleque travesso. Entra sem pedir licença, acomoda-se, faz do peito moradia. Parece moça mas já é velha essa saudade que insiste em me fazer companhia.
Nasce com o Sol, decora o coração, enfeita-se toda pra ficar bonita, pinta as paredes da memória com lembranças coloridas. Saudade atravessa o dia voando nos ponteiros do relógio. O coração é um jardim de saudade exalando seu perfume de lembranças no ar.
O Sol esmaece no horizonte no horizonte alaranjado e a saudadezinha cansa não... Do horizonte do coração sopram ventos de saudade arejando a memória com lembranças refrescantes. Rodopios de saudade me levam envolta de lembranças nas voltas da memória. Fico horas à fio girando no meu carrossel de lembranças ao lado da saudade.
O manto negro começa a desenrolar-se sobre nós. Pontinhos de luz sorridentes bordam o céu com bolinhas faiscantes. A Lua tímida ri um riso largo sempre que uma estrela travessa tropeça do céu. Peço pra saudade pegar carona na cauda de algum cometa ou tropeçar com alguma estrela, despencando na imensidão do nada.
Saudade não quer ir embora, quer ficar aqui comigo. E de noite ela faz-se ainda mais bonita. Do coração saudade troca confissões com a memória. A noite me embala, me envolvendo no seu manto negro, posso ouvir a saudade respirando dentro de mim... O trem da saudade corta a madrugada cruzando os trilhos do meu coração.
E no dia seguinte o coração novamente acorda a sobressaltos de saudade, decorando-o com suspiros de saudade... Saudade faz das ruas do coração um Carnaval sem fim.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Lembranças de outro verão, velhas histórias

"E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível."
             
Albert Camus
   
O primeiro raio de luz espiava-me atento pela vidraça da janela do meu quarto. Uma alegria boba estampou-me a face. Alegria embrulhada num papel fino de tristeza, enfeitada com a aspereza de um tempo perdido.
O coração saltou aos pulos... É verão! E todo verão visto-me com as lembranças envelhecidas de outro verão, conto as histórias de sempre.
Sol a pino. Nuvens esvoaçam pelo céu azulado. A luz do Sol a beijar a relva. Pássaros bailam sob o manto azul-felicidade.
Coração tonto de felicidade. Um balé de borboletas no estômago. Tua face estampava sempre um riso manso. Teus olhos salpicados de estrelas cheios de planos... Tua mão junto a minha passeiam por promessas de eternidade. Num abraço a certeza de um talvez. Palavras de veludo fazendo graça ao pé do ouvido.
Debruça-se o Sol num horizonte alaranjado. Nuvens bêbadas colorem o céu com novas cores. E o pôr-do-Sol é visto de um banco de praça qualquer.
O afago feito na nuca pra enfeitiçar o coração. O beijo adocicado com alegria boba. Riso faceiro. Fim de tarde.
O negrume da noite despenca. Estrelas cravejam o céu. A Lua prateada testemunha nossas juras de amor. Uma estrela travessa cruza o céu em busca do horizonte, um pedido: que o sempre se faça sempre.
Desmaia o verão. Envelhece o Sol. Caem planos. Secam promessas. Emudecem palavras. Desfaz o riso. Nubla o olhar. Desunem-se as mãos. A ausência entre os lábios.
Daquele verão, apenas lembranças. Lembranças adormecidas que volta e meia dançam na memória.
E mesmo nos invernos de minha solidão aquele verão 'inda pulsa em meu peito.