"O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar."
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar."
Leoni
Tu me acolhias num abraço forte abrigando as dores de mulher, os medos de menina, tu me acalmavas num gesto de afeto silenciando as minhas incertezas. Eu afagava tuas mãos com o veludo das minhas, um pedido secreto de sempre.
Serenavam estrelas no teu olhar de menino, um riso faceiro das bobeiras de amor enfeitava tua face. O meu olhar salpicado de luz, iluminando o riso tímido, corando a face a emoção do sentimento.
Abraçados sobre a relva recortados contra um céu azul pálido borrado com nuvens de caramelo, nuances lilás, rosa, laranja, vermelho. O Sol debruçado no poente, beijando ao longe o mar sereno, misturando os 'azuis'... Uma linha alaranjada arrematou o horizonte, costurando o fim de tarde. A Lua pequenina acompanhada de uma estrela solitária saltou no céu querendo ser amante do Sol...
O instante eternizado pelas lentes da câmera fotográfica. O momento preso ao porta-retrato. O que ficou pra trás guardado na fotografia. O sentimento emoldurado em velhas lembranças.
Cortando nossos risos, a marca da ira. Avança o tempo pelos cantos da foto, fazendo a relva um tapete de outono, manchando a foto com rugas de tempo perdido.
O abraço, o gesto, o afago congelados na foto, dançantes na memória, imóveis no presente. O olhar brilha morto, riso sem alegria, vida paralisada. Chuva fina de lágrimas que escorre pela face pingando tristeza na foto.
O céu desbotou. O Sol envelheceu. O horizonte alaranjado empalideceu. A Lua pequenina jamais foi cheia. A estrela continuou solitária.
Desgasta o tempo a fotografia. Desfaz o sentimento. Descose eu de tu.
E o que ficou na fotografia foi a felicidade que queria ser eterna e hoje é só lembrança solta que brinca com a saudade...