Você vai lembrar de mim
Que o nosso amor valeu a pena
Lembra é o nosso final feliz
Você vai lembrar...
Vai lembrar... Sim...
Você vai lembrar de mim."
Ao cheiro doce de chuva mesclou-se o teu cheiro entorpecedor. Embriaga a memória entontecendo-a com lembranças. Desmaiando no coração uma saudade viciada em ti. E antes que eu fechasse os olhos para te encontrar e saciar o vício da minha saudade, te encontrei sem precisar fechá-los. Eu te avistei distante de mim. E mesmo distante eu pude ler-te. Parecias alheio a tarde que se desenrolava sobre os teus ombros. Andavas apressado, porém com passos despreocupados. A incerteza esmagava teus pés. Mãos nos bolsos, cabisbaixo, encurvado. Encurvado como alguém que guarda nas gavetas do peito muitas dores, inclinando-se para frente por causa do peso. Um olhar nublado. E o semblante marcado com a presença de uma ausência. Os lábios cerrados encobriam o riso largo de menino bobo.
Coube ao acaso compor que o teu caminho cruzasse com o meu. Coube a eu esperar... Esperar que na interseção dos nossos caminhos restasse ao menos um pouco do que fomos nós. Esperar que ao esbarrar de um olhar, nossos olhos entretecessem uma ponte de estrelas e nossos braços costurassem um abraço apaziguador de tempestades e nossos lábios arrematassem o encontro com um beijo infindo. Esperar que nossos passos caminhassem no mesmo compasso. Esperar que a tua mão deixasse ser acompanhada pela minha. Esperar que o meu semblante corasse o teu outra vez. Esperar que o teu coração fizesse um samba e que eu fosse a rima da canção. E eu esperei. Mas não viste que eu estava à espera de ti... À espera do que fomos nós.
Deixei que seguisses o caminho. E o coração ingênuo sussurrou que a memória do teu coração ainda guarda lembranças minhas. A tarde desfez-se dedilhando uma chuva serena fora e dentro a tarde escreveu uma tempestade furiosa. E o coração insiste... Insiste que tu ainda lembras. Lembras de mim, de nós, do nosso amor, da promessa com o sempre, do plano com a felicidade.
Essa tarde foi uma prosopopéia da minha tristeza.