"Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade."
Friedrich Nietzsche
Escrevo-te porque a saudade fez do meu coração moradia. Esvoaçam lembranças dançantes na memória, nublam os olhos, inundando-me com chuvas de saudade e melancolia. Saudade e melancolia cavam buracos no coração e alicerçadas nas lembranças constroem seu abrigo.Friedrich Nietzsche
Escrevo-te porque encurralam-me essas paredes amareladas de tempo perdido, sufoca-me o perfume estonteante preso em cada lembrança e que envenena docemente. Reminiscências de recordações que repetem-se, que à memória nunca envelhecem, alucinando-me calmamente.
Escrevo-te porque quero que estendas teus braços de compreensão até os meus, envolvendo-me no teu abraço mais demorado.
Peço-te o controle dos ponteiros do teu relógio e que os meus passos possam entrar em sincronia com a sinfonia dos instantes.
Sei, o que peço é muito, mas quereria eu poder controlar os ponteiros do teu relógio para atrasar sempre a chegada do trem da saudade com seus vagões cheios de lembranças e que quando parte deixa trilhos de melancolia. Quereria eu poder sincronizar meus passos com a sinfonia dos instantes para que nenhuma nota se perdesse na fugacidade do momento, para que cada instante carregasse uma vida inteira...
Escrevo-te porque estou tonta de rodopios de lembrança levando-me envolta de saudade nas voltas da memória. A minha memória é um arabesco de lembranças e o meu coração um jardim de saudade regado com melancolia.
Escrevo-te porque cansei do filme antigo que virou minha vida.
Escrevo-te porque tenho medo de perder-me dentro desse labirinto de lembranças, afogar-me nesse mar de saudade e melancolia...
Peço-te tempo um novo tempo, um outro tempo, tempo de primavera. Quereria eu um tempo para recomeçar, para colecionar novas lembranças, lembranças com cheiro de coisa boa, ao invés daquelas já velhas e tão repetidas com cheiro de passado morto, para guardar uma saudade no peito regadas com felicidadezinha, enfeitadas com sorriso de Sol. Quereria eu encerrar esse outono dentro de mim.
Pense no meu pedido com esmero...
P.S.: Escrever-te-ia uma canção se eu conhecesse uma palavra tão árida e também tão acetinada que rimasse com tempo.
P.S.: Escrever-te-ia uma canção se eu conhecesse uma palavra tão árida e também tão acetinada que rimasse com tempo.
Lírica – tua voz sobe e fala do tempo, da saudade, das memórias. “Que nunca se vá, ou fique, apenas lembre – essa forma uniforme de nem ficar e nem ir, apenas surgir surpreendente. O tempo passa “nesta medida que marca apenas fragmentos.” Abraço Jane.
ResponderExcluirOi. Como você está? Abraço.
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