"Se a cólera que espuma, a dor que mora
Uma armadura de aço arrematada com aspereza encobrindo velhas cicatrizes, feridas que não se curam, marcas que não se apagam. Acres recordações.Na alma, destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse (...)"
Raimundo Correia
Raimundo Correia
Se os olhos de quem vê pudessem enxergar além da máscara, enxergariam uma alma despida do fingimento de ser. Se os olhos de quem vê pudessem enxergar além dos meus olhos, cortariam-se nas pedras dos caminhos por onde andei, feririam-se nos espinhos dos jardins de flores murchas que visitei, banhariam-se na chuva de dias cinzentos.
Um riso nublado de tristeza.
Essas rugas foram caminhos traçados pelos passos de cada desilusão. Esses vincos escondem poços fundos de amargura. E as decepções cavaram esses sulcos...
Carrego um coração amiúde, encolhido de mágoas. Guardo no peito um mapa de mim, avenidas, ruas, travessas, becos, desertos dos outros. Às vezes me perco e me encontro num desencontro. Às vezes me encontro e me perco num encontro. Às vezes a procura é inútil.
Engavetei na memória lembranças que apenas eu fotografei, fico revendo dias e dias essas fotografias de lembranças, vivo no presente ainda presa ao passado. Arranco lembranças escondidas no fundo da gaveta, algumas já perderam o cheiro, o aveludado do toque, o calor do afago, o semblante, e ainda sim gosto de lembra-las para nunca esquecê-las totalmente. Prisoneiras eternas da memória.
E me afogo nas lembranças de tempo perdido sem que ninguém saiba...
Algumas recordações se lembradas são como pedradas lançadas na alma, estilhaçando-me toda.
Algumas recordações se lembradas são como pedradas lançadas na alma, estilhaçando-me toda.
Às vezes teimo em brincar de fingir, em meio as rugas, vincos, sulcos um riso delgado enfeita a face com um doce fingimento. O riso não esconde os olhos cinzentos. Palhaço tristemente feliz.
Ah se eu pudesse me desenhar, me pintaria com cores frias para retratar a ausência de cada vida que de mim foi sendo roubada, cores quentes para retratar a fúria de cada roubo, branco retrataria a minha coleção de arrependimentos, preto retrataria o tempo que foi se perdendo.
Ah se eu pudesse fotografar a minha alma, seria um retrato envelhecido, desgastado, emoldurado com uma sufocante saudade.
Ah se eu pudesse me desenhar, me pintaria com cores frias para retratar a ausência de cada vida que de mim foi sendo roubada, cores quentes para retratar a fúria de cada roubo, branco retrataria a minha coleção de arrependimentos, preto retrataria o tempo que foi se perdendo.
Ah se eu pudesse fotografar a minha alma, seria um retrato envelhecido, desgastado, emoldurado com uma sufocante saudade.
Se os olhos de quem vê pudessem enxergar o avesso de mim, ficariam inqiuetos na minha bagunça. Se os olhos de quem vê pudessem enxergar além, muito além dos meus olhos, mergulhariam sem volta num desencontro fatal...
Noite negra da alma
ResponderExcluirArrisquei uma vida. Planejei passeios. Anunciei aos ventos. Corri atrás de pipas. Afastei passados. Compartilhei sonhos. Marquei datas. Lí. Ouvi canções clássicas. Escrevi postais. Dediquei tempos, sonos, horas. Ultrapassei sentidos. Deixei. Dediquei letras guardadas até então.
Imaginei por demasia. Fui. Corri apressado. Tropecei talvez. Caí fundo. Esqueci de respirar. Não acordei. Sonhei e sonhei. Errei outra vez.
Dias. Noites a fio. Tardes de espera. E o silêncio. Um massacre. Respostas? Sorrisos falsos. Olhares tortos. Onde estavas? Onde eu estou?
Até que chega a noite. Negra como o manto da morte. Desdenhas. Torções. Esquives. Todas as esperanças mortas como gafanhotos. Ainda um sorriso. Frio como mármore. Espalhado. Sem consistência.
Uma última possibilidade. Mais uma noite. A mais gélida. Sem cor. Sem música. O último velório?
A luz que ainda cintilava nos olhos, tornou-se tão frígida. E apagou-se num pequeno sopro mortal.
Este foi o adeus...
Somos Somente a fotografia.
ResponderExcluirDois navegantes perdidos no cais
Distantes demais
Somos instantes, palavras, poesia
Dois delirantes ficando reais
Distantes demais
Noites de sol, loucos de amar,
Quem poderia nos alcançar.
Eu e você, sem perceber,
Fomos ficando iguais,
Longe,
Distantes demais.
(Lenine)
Lindooo!
ResponderExcluirÉ mesmo assim.
Eu costumo dizer que quando a gente escreve há uma magia, algo maior que as nossas expectativas: ser quem quiser, em qualquer situação. Escrever é mágico mesmo, feliz de quem tem esse dom de se expressar tão bem através das palavras.
sou fã.
=*
Ahh...lindo... nem tenho o que falar...
ResponderExcluirbeiijos
Pior que não ter nada pra esperar, é esperar o nada!
ResponderExcluirObrigado pelo comentário e espero que não te incomodes com os meus... se são um pouco extenso, às vezes.
Ceta vez postei esse poema de Raimundo Correia no meu blog. É retrata de coisas que as pessoas não enxergam, pois nem tudo é suprficial, decifrável.
ResponderExcluirMuito obrigada pelo carinho.
Mais uma vez quero te dar os parabéns, você sabe dedilhar sentimntos em palavras.
Beijos
Ser muito mais do que simplismente se é.
ResponderExcluirBeijos
a foto da minha alma seria a imagem de um menino travesso e inquieto olhando para nuvens...
ResponderExcluirabraços
Também sou um pouco assim.
ResponderExcluir